NÚCLEO APRENDIZAGEM E DESENVOLVIMENTO

 E

MÉTODO CORPO INTENÇÃO

 

O Núcleo vem apresentar um método de trabalho que está influenciando o ambiente de convívio da escola. É o Método Corpo Intenção, criado pela escritora, pesquisadora, fisioterapeuta e terapeuta Alfacorporal Denise De Castro.
A autora reconhece que os ambientes de convivência podem ser fonte de informações e transmissão de forças e, baseando-se nessa realidade, reflete sobre como seguir aprendendo através dos encontros que os corpos experimentam nesses espaços? São perguntas como essas que norteiam a aplicação do Método Corpo Intenção para o desenvolvimento humano, proposta de um modo de aprender diferente do conhecido, que conecta um sistema ao outro: ações às palavras, sentimentos aos movimentos, práticas às teorias, saberes aos não-saberes.

Flávia Tavares, Coordenadora da Área de Movimento na Escola Núcleo, e também educadora e terapeuta Alfacorporal, vem fazendo a ponte entre essa metodologia e a escola, introduzindo conceitos e práticas no trabalho com os alunos, contribuindo para o fortalecimento da capacidade própria de cada um aprender baseando-se em respostas vivas, refinando e complexificando o olhar para as interações e intervenções.


Vamos compartilhar com vocês algumas "Pílulas" escritas pela Denise De Castro, para que possam se aproximar dessas referências.
As "Pílulas" são pequenos textos desenvolvidos para estimular a reflexão sobre as possibilidades/ intenções contidas no ato de brincar. Uma tentativa de gerar ambientes facilitadores para o crescimento e amadurecimento das crianças, afirmando que brincadeira é coisa séria!

PÍLULA 1:

QUANDO UMA CRIANÇA BRINCA...

Quando uma criança brinca, qualquer que seja a idade dela, ela está orientada para experiências que podem nutri-la de alguma forma, experiências que podem fortalecer seus modos de estar no mundo. Quero dizer que, dentro de uma mesma brincadeira, cada criança vai se encaminhar para um pedaço da experiência em brincar, um pedaço que faça sentido para ela, uma parte da qual ela possa processar e conquistar melhores condições de vida no próprio corpo.

Por exemplo, duas crianças brincando de tapa olho, ou seja, de não enxergar o ambiente externo, podem ter o medo como emoção de fundo, isto é, o medo como a emoção que rege a brincadeira. Diante dessa emoção, cada uma vai explorar o medo de formas diversas. Uma criança pode agir, no ambiente externo, sem cuidados consigo mesma e a outra pode paralisar com um medo excessivo; outra criança pode, ainda, explorar o ambiente externo com cuidado e com desafio. Existe, também, um ambiente interno a ser explorado durante as brincadeiras e, nesse caso, a criança pode lentificar seus gestos, aproximar-se dos próprios sentimentos, ficar em silêncio e nomear, para si, os seus estados.

É interessante perceber que o importante é considerar as escolhas que a criança faz para explorar uma brincadeira, ela sabe de qual “vitamina” está precisando, qual a orientação que define, para ela mesma: sentido, sabedoria e poder.

Diante das escolhas de uma criança brincando, o adulto que se ausenta ou invade a brincadeira, ora desistindo de brincar porque a criança não entende o jeito certo de brincar, ora interferindo o tempo todo nas escolhas da criança para conduzi-la para o modo certo de brincar, pode desorientar a criança. O adulto vai assim desorientar ao instalar um ambiente sem sentido para a própria criança, no qual o adulto se faz extremamente necessário já que ela mesma já não se conduz na brincadeira. Diante de determinadas intervenções do adulto, a criança pode desconfiar das percepções dela durante a experiência, a criança pode ativar defesas contra a manifestação do adulto, e, tanto uma ação quanto a outra podem gerar um ambiente menos favorável para a formação da criança. Nesse caso, podemos nos perguntar qual a orientação do adulto, sentir-se extremamente necessário? Vale uma reflexão!

PÍLULA 2:

QUANDO UMA CRIANÇA BRINCA...

Quando uma criança brinca, qualquer que seja a idade dela, ela pode se aproximar de estados emocionais diversos apoiando-se na própria brincadeira. Pode experimentar medo, alegria, tristeza, raiva, e, mesmo assim ainda seguir brincando. Quero dizer que pode exercer-se na brincadeira e que entender as maneiras de COMO brincar de modo mais/menos agradável vai ajudá-la a acompanhar os desafios de COMO viver os conflitos e conquistas da vida, sejam acontecimentos do universo adulto sejam experiências do mundo infantil. Essa verdade, a de que a criança pode processar sua tristezas e medos durante as brincadeiras, pode ser muito estranha para um adulto que acredita que brincar é só alegria, que ficar quieto é só tristeza.

Por exemplo, uma criança que brinca um tempo em silêncio não está propriamente em silêncio. O silêncio pode estar preenchido pelo envolvimento da criança com seus personagens, com as ações dos seus personagens, com o próprio corpo em ação dando movimento e sentido para os personagens em ação.

Nesse momento, se um adulto ficar um tempo atento ao jogo do silêncio, pode participar da “conversa”. É uma conversa baseada na percepção dos corpos, uma aproximação de partes dos corpos sem o uso das palavras, a presença de corpos que não interrompem as ações e não dirigem os acontecimentos. O adulto, entrando no silêncio, pode fazer uma conexão profunda com a criança e brincar com ela. Brincar de outro jeito, e, em algum momento, brincar do jeito conhecido. O que acontece no instante em que a “conversa” se revela para ambos, criança e adulto? A criança pode se fortalecer frente ao adulto que reconhece a força das experiências vividas.
Vale uma reflexão!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Como podemos ajudar?

Para dúvidas, visitas e mais informações!

Fale Conosco
11 3845 9988 | 11 3044 3744 | Cel: 97146-2479
R. Domingos Fernandes, 556 - Vila Nova Conceição, São Paulo – SP